O problemático conto gótico protagonizado por Jenna Ortega

Longa de estreia da diretora Jade Halley Bartlett, tem uma combinação corajosa para os tempos atuais, mas tropeça nas decisões de roteiro e fica longe de agradar o público.

Lançado somente para o streaming, A Garota de Miller segue a história de Cairo Sweet, interpretada por Jenna Ortega, uma estudante do ensino médio muito inteligente e com potencial para ser escritora.

Sua alta capacidade e interesse por literatura, logo é notada pelo seu novo professor, Jonathan Miller, interpretado por Martin Freeman. 

Esse tipo de temática para um thriller erótico em 2024 pode ser muito perigoso, porém é preciso dizer que A Garota de Miller passa longe de ser um filme sexista, a diretora tem o controle da produção e sabe os momentos exatos de pisar no freio.

O filme é um suspense literário, e agride muito mais com as palavras ditas do que com as imagens, retrata o quão rápido uma amizade aparentemente inofensiva entre um professor e uma aluna pode sair do controle e se tornar algo muito mais grave, mas calmem, não é nem de perto tudo que parece.

Cairo parece ser uma personagem feita sob medida para Jenna Ortega, a estrela da série original Netflix Wandinha (2022), inclusive há muitas semelhanças entre as duas personagens, ambas dotadas de muita inteligência, mas também de um lado sombrio e de personalidade solitária. Pode ser um bom passatempo para quem aguarda a segunda temporada da série protagonizada por Jenna.

O ponto alto do filme é saber criar sua atmosfera, mesmo se passando atualmente, contém uma estética antiga e enigmática, de ambientes melancólicos. Além da narrativa com diálogos fortes, que também é característica dos livros que o filme mesmo cita.

A Garota de Miller subverte as expectativas de quem estava esperando o mais óbvio acontecer, puxando o tapete do espectador, é até surpreendendo com certa reviravolta na personalidade de seus protagonistas.

 Apesar do enredo aparentemente problemático, e a forma decepcionante e evasiva como é conduzida a história na metade final, é inegável que o filme é bem atuado e envolvente, contando com um monólogo final que mostra estilo da diretora para fechar um filme.

Vale a pena o espectador assistir e tirar suas próprias conclusões.

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Meu nome é Alisson Santos, natural de Porto Alegre (RS). Sou jornalista em busca de especialização em crítica de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre o universo cinematográfico.

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