Ao senhor Geraldo com carinho… e talento. Décimo longa do diretor Guto Parente é uma homenagem para o seu pai

A criação do roteiro começou no período de lockdown durante a pandemia de COVID-19, em 2020, o diretor e roteirista Guto Parente tinha perdido seu pai há dois anos e ainda estava vivendo um processo de luto. 

Guto Parente já tem uma vasta experiência no cinema, com dez longas na sua carreira, e desde que perdeu seu pai, veio um sentimento que foi se tornando cada vez maior, homenageá-lo com um filme. 

Não é novo vermos cineastas trazendo para a tela suas experiências familiares ou retratar suas próprias histórias, como uma forma de desabafar e se expressar usando a arte que domina. Mas Guto, faz isso de uma forma diferente do que estamos acostumados a ver, com planos sequências que não seguem o padrão tradicional, e uma narrativa construída é claro a partir de suas memórias, mas com um toque de outros elementos que enriquecem a produção.

Geraldo, nome de seu pai na realidade, é interpretado pelo ator Carlos Francisco, um homem misterioso e recluso em seu apartamento cheio de livros, que passa o dia no computador escrevendo textos que parecem intermináveis.

O protagonista da história é David, jovem cineasta que se mudou para Portugal com a mãe e construiu sua vida lá. David retornou a Fortaleza, sua cidade natal, após dez anos, para apresentar seu novo filme em um festival na cidade, porém, assim como aconteceu com todos nós, a pandemia mudou todos os seus planos e trouxe a tona preocupação e medo.

A narrativa tem um propósito claro, mas inclui durante o desenvolvimento sequências que confundem o espectador sobre serem reais ou não, um processo onírico incluído em seu roteiro que na produção do filme ficou muito bem montada e intrigante de assistir. 

Estranho Caminho é acolhedor e fala sobre a dificuldade de pais de uma certa geração de demonstrarem seu afeto, tipo de situação comum em diversas famílias. Durante o caminho da homenagem de Guto Parente ao seu pai, vemos a casca sendo quebrada através de um humor sutil, incluindo situações normais de um cotidiano envolvendo pai e filho, com um final lindamente construído.

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Meu nome é Alisson Santos, natural de Porto Alegre (RS). Sou jornalista em busca de especialização em crítica de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre o universo cinematográfico.

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