A saga dos imigrantes libaneses na floresta amazônica brasileira
Novo filme de Marcelo Gomes, diretor conhecido por grandes trabalhos em: Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009) e o documentário Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (2019). Traz em Retrato de um Certo Oriente, uma adaptação do livro Relato de um Certo Oriente, de Milton Hatoum, ambientado entre o Oriente e o Amazonas, contando a história de refugiados de guerra.
A adaptação surgiu de uma amizade do diretor Marcelo Gomes com o escritor Milton Hatoum, e a admiração que um tinha pelo trabalho do outro. Marcelo cita em debate após a sessão na Mostra FRAPA, na sexta-feira (08/11), que duas coisas foram determinantes para sua vontade de fazer a adaptação: em primeiro a alteridade, algo que ele sempre preza em suas produções, o encontro de personalidades e o entendimento em relação social e respeito ao outro, e em segundo, é o livro contar a história de uma personagem que busca se recuperar de traumas do passado a partir da memória.
Marcelo se inspirou livremente na história do livro, e teve carta-branca do autor para adaptar de forma diferente alguns trechos, além de transformar aquelas memórias descritas em imagens, daí veio também a ideia para mudança do nome original da obra. Relato de um Certo Oriente para Retrato de um Certo Oriente.
No Líbano, em um período iminente de guerra no final da década de 1940, dois irmãos adultos, Emilie, interpretada por Wafa’a Celine Halawi, e Emir, interpretado por Zakaria Kaakour, embarcam para o Brasil em busca de dias melhores, apenas com algumas malas e o desejo de uma vida nova.
Na viagem, Emilie se apaixona por Omar, interpretado por Charbel Kamel, um comerciante muçulmano. Tomado pelo ciúme, Emir tenta separar os dois, sempre ressaltando as diferenças religiosas, já que os irmãos eram católicos, e Omar muçulmano.
O filme é contado pela perspectiva de Emilie, e usa recursos narrativos fora do diálogo para contar a história, o silêncio é muito explorado, os olhares em close-ups em diversos momentos para descrever as emoções dos personagens.
Retrato de um Certo Oriente tem uma fotografia linda, mesmo em preto e branco, o que não é habitual para o cinema contemporâneo, cada cena tem um toque especial, um magnetismo que prende o espectador na tela. O público na sessão estava atento e acompanhando a viagem de navio no oceano, e de barco pela Amazônia, sem dispersar a atenção em nenhum momento, querendo aproveitar cada segundo do novo trabalho de Marcelo Gomes.











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