Os retratos superficiais da América Latina (como sempre?)

O musical conta a história de um chefe do cartel mexicano que deseja passar por uma cirurgia de redesignação sexual para viver como uma mulher. O que parece ser uma história empolgante, na verdade se tornou uma produção extremamente problemática, é sobre o que irei comentar em Emilia Pérez.

Dirigido pelo francês Jacques Audiard, que não fala espanhol, e filmado na França, sendo uma história que se passa no México, o filme tem como protagonista a atriz espanhola Karla Sofía Gascón, que interpreta o traficante Manitas e, posteriormente, Emilia. O elenco de apoio tem Zoe Saldaña como a advogada Rita, e Selena Gomez sendo a esposa de Manitas, Jessi.

Emilia Pérez ainda tem na produção Pascal Caucheteux e Valérie Schermann, dois franceses, e o belga Anthony Vaccarello. Apesar de estar citando muitos nomes, acho importante para o registro de que ninguém responsável diretamente pelo filme é mexicano. Não citei o time de roteiristas, onde também não há nenhum.

A problemática aqui não é pessoas estrangeiras fazerem um filme sobre outro país, mais sim ser claramente uma apropriação cultural para burlar as regras de premiações para filmes de língua não-inglesa em festivais, e é exatamente o que está acontecendo. A representação cultural é delicada e quando uma equipe, toda estrangeira, decide contar uma história sobre um país e uma cultura específica, pode facilmente cair em estereótipos e apropriação, o que eles parecem não se importar aqui.

A crítica internacional praticamente não comenta sobre esses pontos da produção em qualquer material procurado, como visto no Deadline, Variety, e vários outros sites, todos se atentam a técnica e narrativa do filme para justificar seus elogios. Emilia Pérez de fato é um filme tecnicamente bom e com uma história em potencial, mas é impossível elogiar após saber como ele foi feito e ver entrevistas onde o diretor Jacques Audiard responde que não preciso pesquisar ou ir ao México para aprofundar o roteiro de seu filme.

A Netflix comprou Emilia Pérez em Cannes por US$ 12 milhões para distribuir o filme no Reino Unido e nos Estados Unidos. E o México? Por enquanto, nada.

O fato é que, infelizmente, Emilia Pérez é um retrato no qual os americanos, principalmente, gostam de ver da América Latina: pobreza e criminalidade. O filme romantiza e santifica um assassino perigoso, escorado numa pauta LGBT.

Uma resposta para “Emilia Pérez (2024)”.

  1. Avatar de Oscar 2024 – CineNewsPoa

    […] uma temporada muito disputada, com diversos prêmios sem um favorito absoluto, Emilia Pérez, filme queridinho da temporada de premiações, que chegou no Oscar com 13 indicações, levou […]

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Meu nome é Alisson Santos. Sou natural de Porto Alegre (RS) e nasci em 1996. Jornalista buscando se especializar em críticas de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre cinema.

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