Somente aqueles que não buscam o poder estão qualificados para mantê-lo
O novo filme do diretor Edward Berger, aclamado por Nada de Novo no Front (2022), traz uma adaptação do livro de Robert Harris, Conclave, publicado em 2016.
Conclave explora diversas discussões secretas nos corredores do Vaticano, passando por esse processo histórico de eleição do novo papa, bem como as articulações políticas, segredos e conspirações que ocorrem pelos bastidores. O cardeal Thomas Lawrence (Ralph Fiennes) supervisiona o processo de escolha de um novo papa, numa intensa disputa pelo poder entre figuras da Igreja Católica.
Começando diretamente do leito de morte do ex-papa, o filme segue o personagem de Lawrence, o decano escolhido para organizar o conclave, mas que também é visto por outros cardeais como um bom nome ser o futuro papa, apesar de Lawrence estar passando por um momento complicado em sua vida e questionando sua fé.
Um misterioso cardeal recém-chegado de Cabul, que nenhum dos outros sabia da existência, aparentemente foi convidado a Roma pelo ex-papa antes de sua morte. Muitos dos outros desconfiam de um padre católico de uma parte predominantemente muçulmana do mundo. Um candidato a papa é cardeal da Nigéria, e muitos no Vaticano veem possibilidades na eleição do primeiro papa africano. Mas há outros cardeais mais conservadores, como o candidato italiano, que faria quase qualquer coisa para impedir que esse arrivista desmantelasse a hierarquia europeia. Não me atenho aos nomes dos cardeais pois de fato são vários e fica difícil gravá-los vendo o filme apenas uma vez.
Ralph Fiennes interpreta um personagem que normalmente agrada muito a Academia: um homem com conflitos internos, contrastando com todos os demais personagens do filme. Cheio de duvidas e sentindo o peso da responsabilidade que carrega, é com certeza um dos favoritos para o prêmio de melhor ator no Oscar 2025.
O melhor monólogo do filme vem talvez do personagem menos esperado, que relembra aos cardeais o verdadeiro sentido de ser papa, mudando os rumos da votação, que em todo momento trocava de favorito.
Conclave navega entre a tradição e o progresso, mostrando a divergência de opinião entre os líderes da Igreja Católica. Com excelentes diálogos, trabalha muito bem a relação entre causa e consequência e acaba em um momento onde você quer ver mais.











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