Inspirado no histórico conto gótico, Nosferatu impressiona e deslumbra no cinema
Emocionante, repulsivo e bonito em igual medida, o diretor e roteirista Robert Eggers traz um trabalho mergulhado em uma atmosfera densa e poesia macabra, sombria, um sonho febril primorosamente elaborado.
Eggers, mesmo com uma carreira ainda curta, por ter 41 anos, já marca o cinema com seus filmes de estética peculiar, roteiros originais, design de produção, som e edição impecáveis. Começando pelo seu filme de estreia, o brilhante e aclamado pela crítica A Bruxa (2016), e os bons filmes O Farol (2019) e O Homem do Norte (2022).
Seu primeiro filme enfatiza a Nova Inglaterra dos anos 1630, onde uma família de agricultores expulsa de um assentamento puritano encontra feitiçaria na floresta. Seu segundo, O Farol, coloca dois homens da década de 1890 em isolamento claustrofóbico em uma ilha inóspita, açoitados pelos elementos e pelas tempestades furiosas do local. Seu terceiro, O Homem do Norte, voltou aos tempos medievais com uma saga de vingança viking maluca de sangue e tripas. Deve ter dado pra perceber que sou fã do trabalho de Eggers e recomendo todos os seus filmes.
Em Nosferatu, Eggers apresenta uma adaptação em que ele dizia ter vontade de fazer desde o início da carreira. Até então, todos os seus filmes eram de roteiros originais. No entanto, Nosferatu, apesar de uma adaptação, é sua própria criação hipnotizante, uma combinação superlativa de direção e material.
Incrivelmente inquietante e angustiante, o conto gótico de obsessão de Eggers gira em torno de Ellen Hutter (Lily-Rose Depp), uma mulher doente e assombrada, seu marido obediente Thomas Hutter (Nicholas Hoult) e o misterioso Conde Orlok (Bill Skarsgård), um vampiro apaixonado por ela, chamando-a de todo lugar, espaço, sonhos e pesadelos.
A pedido de seu empregador, Herr Knock (Simon McBurney), Thomas viaja para a Transilvânia para conhecer o Conde Orlok, um cliente em potencial que deseja vender seu castelo e mudar-se para a cidade. Enquanto isso, sua esposa, atormentada por essas visões horríveis, implora que ele não vá. Mas a necessidade de dinheiro e o cumprimento do dever vêm em primeiro lugar, o que, desde o inicio da viagem, se mostra um erro.
O Conde Orlok de Eggers é marcante como das outras vezes que o personagem foi interpretado no cinema, mas tem características que reinventam o vampiro, este Orlok é movido por desejo, com uma presença ameaçadora por fala e movimentação que geram desconforto no espectador.
Ellen está longe de ser uma vitima passiva, mas é atormentada de todas as maneiras e não consegue mais lidar sozinha com o problema que enfrenta. Na ausência de seu marido, que não manda notícias, acaba tendo o apoio de uma família de amigos, um médico e até um ocultista.
Nosferatu não apenas parece esteticamente de cair o queixo, mas a composição de Eggers e os movimentos de câmera bem orquestrados – planos de rastreamento, panorâmicas e muitos deles inventivos, com o uso brilhante de transições criativas e inspiradas – impressionam profundamente. É uma nova linguagem visual para uma obra antiga e torna um drama fascinante ainda mais hipnotizante.
Para quem ainda não conhece a história, assistir no cinema será um deletei completo, um show de cinematografia e mise-en-scène.











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