Um épico americano extenso e emocionante sobre um arquiteto sobrevivente do Holocausto que sofre por sua arte
O fictício arquiteto modernista húngaro-judeu László Toth (Adrien Brody, tão bom quanto ele tem sido desde O Pianista), sua esposa Erzsébet (Felicity Jones) e sua sobrinha quase muda Zsófia (Raffey Cassidy) são vítimas da Segunda Guerra Mundial. Eles sobreviveram aos campos de concentração, mas apenas László escapou da Europa. Ele tropeça no porão de seu navio de carga em uma cena de abertura impressionante que eventualmente preenche a tela com a Estátua da Liberdade e a alegria total de sua nova terra natal.
Como em todos os bons épicos, O Brutalista envia seu protagonista por uma estrada de grandes fortunas seguidas por grandes tragédias, e Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce) prova ser o catalisador para ambos. O empreendedor obscenamente rico se cerca de criativos brilhantes que ficam felizes em satisfazê-lo, mas não conseguem mascarar a inépcia artística do patrão. Ele leva uma vida de excessos ao lado dos gêmeos adultos Harry (Joe Alwyn) e Maggie (Stacy Martin). Para os três, László e sua família nunca serão nada além de inferiores, sem um lugar em seu mundo soberbo e rarefeito.
Van Buren percebe o talento de László após uma reforma em sua casa e começa a pesquisar sobre a vida do arquiteto, que foi um brilhante profissional antes da guerra, com carreira e obras renomadas pela Europa. Em um encontro entre os dois, Van Buren oferece um grande trabalho para László, o trabalho que provavelmente ele sonhou durante toda sua vida: a construção de um grande centro comunitário com total liberdade criativa.
Assim como László supervisionando os construtores de Van Buren, Corbet reúne alguns outros elementos para executar essa grande visão: a iluminação sombria e composições de foco superficial de fotografia, os tecidos marcantes no figurino e uma eletrizante trilha sonora modernista de elementos que, unidos, formam uma grande sinfonia no filme.
Preconceito e perseguição guiam os projetos brutalistas de László, erguendo um monumento que visa espelhar a prisão que o manteve em Buchenwald, o que os Van Burens, por sua completa, ignorância não sabem.
No segundo ato, a chegada da fantástica Felicity Jones como a esposa doente, mas de personalidade forte, traz também um novo fôlego para o filme tão longo. A personagem cresce em estatura e força à medida que a as coisas acontecem na construção e nas suas vidas.
O perfeccionismo do arquiteto causa atrasos e problemas com a comunidade local, os investidores começam a querer tirar os poderes de László sob a construção. O arquiteto, em contrapartida, oferece dinheiro do próprio bolso para ser seguido o planejamento original, mostrando sua fixação pela construção. Mesmo assim, a obra acaba sendo paralisada.
Um incidente degradante entre Harry e Zsófia acontece fora da tela. Ele não passa despercebido por László, e, embora o assunto nunca seja discutido, ele prenuncia um desenvolvimento chocante anos depois, após o trabalho no projeto ter sido retomado. Esse momento climático acontece na Itália, onde Van Buren acompanha László às pedreiras de mármore nas montanhas de Carrera.
O Brutalista é um filme enorme em todos os sentidos, fechando com um epílogo ressonante que ilustra como a arte se estende do passado para o futuro. Está claro que Corbet fez esse filme porque ele quer que signifique algo grande. Se isso significa, pode depender dos olhos de quem vê.











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