Em primeira exibição no Brasil, o filme lotou a Cinemateca Paulo Amorim

A Versão de Anita é um filme híbrido entre documentário com depoimentos de historiadores, e ficção com cenas do século XIX e atuais. O longa-metragem revisita a trajetória de Anita Garibaldi, uma figura marcante da história mundial.

Anita nasceu em Laguna, Santa Catarina. Ela veio a se tornar um ícone de coragem por sua participação em conflitos revolucionários. Sua trajetória foi entrelaçada com os eventos da Revolução Farroupilha, movimento separatista que ocorreu no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845.

Dirigido por Luca Criscenti, o filme segue uma trajetória linear da vida de Anita, desde seu casamento forçado, quando tinha apenas 14 anos, até conhecer Giuseppe Garibaldi, aos 18, e sua morte aos 27.

Giuseppe Garibaldi era um revolucionário italiano que lutava ao lado dos farroupilhas, buscando a separação do Rio Grande do Sul do Brasil Império. Curiosamente, na Itália, Garibaldi buscava a unificação do país. Derrotado em suas conspirações e condenado à morte, fugiu para o Brasil.

Anita não apenas acompanhou seu futuro esposo, mas também participou ativamente de batalhas, desempenhando papéis fundamentais como combatente e apoiadora. Sua habilidade de enfrentar dificuldades e sua dedicação às causas de liberdade marcaram profundamente sua participação na Revolução Farroupilha. Um dos episódios mais emblemáticos foi sua fuga espetacular durante a Batalha de Curitibanos, em 1840, onde cavalgou sozinha por dias, evidenciando sua determinação e resiliência. Toda essa sequência é contada com grande riqueza de detalhes no filme.

A Versão de Anita já se explica em seu título. A história de sua vida é contada de uma perspectiva feminina, protagonizada pela atriz italiana Flaminia Cuzzoli, que desempenha a versão ficcional histórica da personagem, e uma versão “moderna” de Anita Garibaldi.

Os depoimentos são de homens e mulheres do Brasil e da Itália, professores e historiadores, extremamente inteligentes e com destreza para contar a história de Anita. O filme também tem o depoimento de um ex-prefeito de Laguna e de uma senhora descendente da família Garibaldi, ambos também agregando bom conteúdo para o filme.

O problema, para mim, começa quando a história do casal sai do Rio Grande do Sul e do Uruguai, para tomar rumos à Itália. Isso talvez não seja um problema do filme em si, mas uma consequência dos diversos fatos históricos.

Anita e Giuseppe são conhecidos como Herói e Heroína dos Dois Mundos, por suas diversas batalhas em continentes tão distantes. No filme, os fatos históricos acabam ficando confusos de acompanhar por tantas regiões que Anita passa e guerras que Garibaldi luta. Mesmo assim, é uma história fascinante: de tantos acontecimentos, parece que Anita viveu uma vida inteira, mas morreu com apenas 27 anos, grávida de seu sexto filho.

Anita Garibaldi, foi uma mulher corajosa e revolucionária que lutou pela liberdade no Brasil e na Itália, tornando-se um símbolo de bravura e determinação. O filme faz jus a sua história e mostra seu legado.

Relevância para o Rio Grande do Sul

Na sessão lotada, estavam presentes diversas pessoas que cultivam a história de Anita e as tradições do estado. Alguns dos presentes vieram do município de Mostardas para a pré-estreia. Todos aplaudiram a produção quando subiram os créditos.

Após o termino da exibição, houve um espaço aberto para comentários e perguntas sobre o filme com o produtor Juan Zapata. Em uma de suas falas, ele salientou que o filme foi feito inteiro pela perspectiva de Anita, pois sempre (no audiovisual) sua história ficou à sombra de seu esposo, Giuseppe. O filme propõe uma visão feminina disruptiva, que faz refletir sobre esta Anita de uma forma inesperada, contemporânea e diferente.

A Versão Anita está em cartaz na Cinemateca Paulo Amorim, em Porto Alegre, e tem sessões previstas para Caxias do Sul e São Paulo. Segundo Zapata, o filme em breve terá distribuição para outros países da América do Sul, como Uruguai, Chile e Equador.

Sala da Cinemateca Paulo Amorim lotada para a exibição do filme. Foto: Isidoro B. Guggiana.

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Meu nome é Alisson Santos. Sou natural de Porto Alegre (RS) e nasci em 1996. Jornalista buscando se especializar em críticas de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre cinema.

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