Horror Folclórico dos Países Baixos
Witte Wieven, no título original, refere-se a uma lenda existente nos Países Baixos sobre espíritos de mulheres sábias ou seres élficos. Segundo a lenda, seus espíritos permaneceram na terra e se tornaram entidades vivas que ajudavam ou atrapalhavam as pessoas que os encontravam. Elas costumavam residir em locais de sepultamento ou outros lugares sagrados. Acreditava-se que a névoa em um túmulo era o espírito da mulher sábia que aparecia, e as pessoas lhes traziam oferendas e pediam ajuda.
Em Heresia, vemos o já conhecido cenário de uma vila medieval controlada pelas ameaças de pecado do catolicismo. Frieda (Anneke Sluiters) é uma jovem que enfrenta dificuldades para engravidar e, por isso, sofre agressões psicológicas por não conseguir cumprir sua suposta única função como mulher, segundo os padrões daquele vilarejo.
O enredo do filme é centrado em Frieda, mostrando como ela lida com os olhares atravessados dos vizinhos e seu relacionamento fracassado com o marido, que a culpa por não conseguir engravidar. Ele se irrita profundamente quando ela sugere que talvez o problema possa ser dele.
O açougueiro do vilarejo é um abusador. No filme, fica subentendido que ele já violentou Sasha (Nola Kemper), amiga solteira de Frieda. Após cumprir um curto período preso em uma gaiola, ele é solto pelo padre ditador e retorna às suas atividades, afinal, precisavam de um açougueiro para trabalhar na vila, não é mesmo?
Obviamente, após um dia solto, o açougueiro volta a assediar Frieda e sua amiga Sasha. Frieda, no entanto, não se intimida diante do homem e o confronta. O açougueiro segue Frieda até um local afastado da vila, cercando-a em frente a uma floresta amaldiçoada, de onde ninguém que ousa entrar retorna vivo. Sem outra opção, Frieda entra na floresta para fugir do homem, já que não havia ninguém para ajudá-la. Mesmo que houvesse, talvez permitissem que o abuso acontecesse. A entrada na floresta mudará o destino de Frieda e os rumos do filme.
Filmado com uma paleta de cores reduzida, no limite do preto e branco, o filme ganha ainda mais beleza nas poucas vezes em que o sol brilha. A envolvente produção do diretor Didier Konings constrói uma sociedade medieval convincente. Embora ambientado na Idade Média, Heresia apresenta um roteiro contemporâneo, criando uma parábola feminista sobre mulheres descobrindo novas maneiras de compreender suas vidas e o mundo.
O filme tem mais uma sessão prevista dentro do Fantaspoa na sexta-feira 18/04 na Cinemateca Paulo Amorim.











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