A odisseia de uma mulher viciada em cartomantes

Conhecemos AP (Annapurna Sriram) nossa protagonista/diretora/roteirista ouvindo a sabedoria de uma vidente numa ilhazinha no meio de uma lagoa. AP descobre que foi amaldiçoada e que a única maneira de quebrar a maldição é pagar mil dólares por um ritual que termina com o sacrifício de um cordeirinho. Sem ter os mil dólares — muito menos um cordeirinho — AP agora tem uma missão. E ela não será negada.

AP é uma dominatrix e stripper que mora numa cidade pós-apocalíptica chamada Trashtown. Ela trabalha em casas abandonadas frequentadas por punks que buscam lugares para se esconder, se embriagar e praticar “arte”. Reencontrando uma velha amiga, Danni (Sadie Scott), em uma dessas festas, AP a convida para conversar e urinar em um cliente. As duas se tornam cúmplices na missão distorcida de AP. Danni vai ajudar, inclusive, atendendo os clientes, e é nesse contexto que acaba conhecendo o excêntrico astro de TV James Falcone (Brandon Flynn), que enxerga o que fazem no quarto como uma forma de arte e exibe com orgulho suas pinturas em aquarela — as mais infantis possíveis. Tudo corre conforme o planejado, até que James pede a Danni que assine um longo acordo de confidencialidade sobre o encontro. Logo, AP e Danni se veem em fuga por esse motivo.

A dupla que sustenta o filme vai se deparar com uma série de personagens exagerados e situações absurdas, cada uma mais desequilibrada que a anterior, enquanto AP se encaminha para o inevitável. Fucktoys é uma aventura exagerada que explora a intersecção entre intimidade, exploração e classe em um universo alternativo.

Com uma estética marcante e cores vibrantes filmadas em 16 mm, a estreia de Sriram na direção é uma celebração alegre, trash e sem julgamentos de uma ampla gama de estilos de vida — para dizer o mínimo. No entanto, uma espécie de doce simpatia é encontrada em Danni e AP, enquanto elas superam seus passados e, ao longo do caminho, conversam com amigos, clientes e com a mãe de AP, garçonete em uma loja de donuts.

Se Anora apresentou uma história de trabalho sexual como uma história de Cinderela, Fucktoys cria uma narrativa mais próxima de Alice no País das Maravilhas.

Nenhuma descrição do enredo irá prepará-lo para as excentricidades bizarras, mas tocantes, do filme. Fucktoys é sobre se livrar de uma maldição, mas também é sobre desestigmatizar o trabalho sexual, é sobre como nossos corpos estão constantemente sendo usados em serviço de alguma coisa, sexual ou não. No fim das contas, tudo é apenas um trabalho.

Uma resposta para “XXI Fantaspoa – Fucktoys”.

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Meu nome é Alisson Santos. Sou natural de Porto Alegre (RS) e nasci em 1996. Jornalista buscando se especializar em críticas de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre cinema.

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