Um terror lovecraftiano cheio de surpresas
O filme de Nelson Botter Jr. e Fernando Alonso, responsáveis pelo roteiro e direção, apresenta um conto moderno sobre quatro mulheres — bruxas da internet — que decidem visitar uma verdadeira bruxa para realizar um ritual mágico durante um eclipse solar total.
As quatro amigas têm personalidades bem distintas: Isabella (Priscila Sol) é a mais irritada, Olivia (Duda Reis), a mais ingênua, Mia (Jessica Córes) assume um papel conciliador, e Emilia (Klara Castanho) se destaca como a mais enigmática — sendo a única que realmente demonstra interesse pelo ritual.
Pela falta de seriedade do grupo, regras são quebradas e algo dá errado no ritual. Elas ficam presas, junto com a bruxa dona da casa, em um limbo dimensional onde o Apanhador de Almas governa. A partir daí, a única regra é clara: apenas uma delas poderá sair viva.
Com uma estética lovecraftiana, a proposta do filme não é provocar medo com sustos repentinos, jumpscares ou exposição excessiva do monstro — o que pode frustrar parte do público. A aposta aqui é na construção de uma atmosfera opressiva e na jornada rumo à loucura, que levará à difícil decisão de quem vive e quem morre.
Apanhador de Almas apresenta diversas pistas durante ao longo da narrativa, nem tudo é exposto de maneira explícita. Após do erro no ritual, senti referências do filme Coerência (2013), o que foi importante para entender a história lá no final. O filme de fato consegue construir uma tensão sobre quem vai viver ou morrer, mas a falta de informação sobre as amigas acaba criando indiferença sobre a situação, não me peguei torcendo por alguma delas. Em alguns momentos também acho que o silêncio causaria muito mais tensão que a trilha sonora não diegética que está presente em boa parte do filme.
Os diretores, Nelson Botter Jr. e Fernando Alonso, estiveram presentes na sessão de sábado (19/04), na Cinemateca Paulo Amorim, onde falaram sobre a realização do filme e responderam às perguntas do público. Alonso destacou a forte presença feminina na produção, tanto na frente das câmeras quanto nos bastidores, incluindo a roteirista Tarsila Araújo, além de profissionais responsáveis pela direção de fotografia, direção de arte e montagem, também comandadas por mulheres.
Nelson Botter Jr falou sobre a criação da história envolvendo diferentes realidades e confirmou as referências do filme Coerência, que serviu como base para criação da história de horror cósmico.
Apanhador de Almas tem mais uma sessão marcada para a próxima terça-feira (22/04), às 15h30, na Cinemateca Paulo Amorim.

Nelson Botter Jr (esq.) e Fernando Alonso (c), durante a sessão comentada na Cinemateca Paulo Amorim dia 19/04. Foto: Alisson Santos/CineNewsPoa.











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