A modernização de uma antiga lenda
A lenda de Succubus tem raízes profundas na mitologia e no folclore de diversas culturas. Tradicionalmente, ela é descrita como um demônio feminino que seduz homens em seus sonhos, drenando sua energia vital através do contato íntimo. O conceito remonta a textos judaicos e cristãos medievais, onde figuras como Lilith foram associadas a esse arquétipo. Com o tempo, a imagem da Succubus evoluiu: de uma criatura grotesca e demoníaca para uma figura sedutora e enigmática, refletindo medos e desejos humanos.
O filme Succubus (2024), dirigido por R.J. Daniel Hanna, moderniza essa lenda ao inseri-la no contexto das relações digitais. A trama acompanha Chris (Brendan Bradley), pai de um bebê e recém-separado que, ao entrar em um aplicativo de namoro, se envolve com uma mulher misteriosa, cuja sedução esconde um perigo sobrenatural. O longa mistura elementos de thriller erótico, terror sobrenatural e drama psicológico, explorando a vulnerabilidade emocional e os perigos da tecnologia.
Chris conta com o apoio de seu amigo Eddie (Derek Smith), um homem divorciado há mais tempo que lhe dá dicas para Chris voltar a se relacionar com outras mulheres. Eddie funciona como o alívio cômico do filme e protagoniza uma cena grotesca que, até então, eu nunca havia visto no cinema.
Apesar de ter uma boa premissa, o filme é irregular em diversos momentos. Ele presume que o público já conheça a lenda para acompanhar o ritmo da história. O ator Ron Perlman, que interpreta Orion Zephyr, um professor que aparentemente está caçando o demônio, tenta explicar a situação, mas é constantemente interrompido pelo protagonista, o que resulta em explicações inconclusivas. Além disso, boa parte do filme se passa apenas com Chris em sua casa. Apesar da montagem competente, essa escolha torna o ritmo monótono, lembrando alguns filmes produzidos na época da pandemia de Covid-19.
O filme atualiza a lenda de Succubus ao explorar a fragilidade humana após términos de relacionamento, colocando-a diante da hiperconectividade e da solidão contemporânea. A direção de R.J. Daniel Hanna enfatiza essa tensão por meio de uma estética sombria e do uso de interações digitais como ferramenta narrativa, aspectos fundamentais a serem discutidos nos dias de hoje. No entanto, o maior problema está na conclusão do longa: o diretor não soube como encerrá-lo, fazendo uns três finais consecutivos, além de um epílogo que, na minha opinião, é completamente desnecessário e contradiz a seriedade que o filme estava levando.











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