Uma noite na vida de um matador
Frenético! Esse pode ser o adjetivo para definir o novo filme do diretor Cristian Tapia Marchiori, um longa em plano-sequência que percorre um bairro de Buenos Aires dominado por disputas do tráfico de drogas e por moradores em meio ao fogo cruzado.
Recém-saído da prisão, Pablo “El Galgo” (Sergio Podeley) é o protagonista da história. Já em sua primeira cena, ele aparece cometendo um novo crime. Pablo vai aceitar um trabalho para o cartel ao qual já pertenceu, porém é traído e se vê em uma situação extremamente complicada.
O filme retrata uma noite na vida de Pablo, que tenta sobreviver ao mesmo tempo em que busca salvar o bairro. Em plano-sequência — ou seja, apenas uma tomada sem cortes —, para quem não está familiarizado, é como foi feita a minissérie de sucesso Adolescência neste ano, por exemplo, e o longa Birdman, vencedor do Oscar de melhor filme em 2015.
Gatilheiro não é uma das produções às quais estamos acostumados no Fantaspoa, que geralmente envolvem terror ou ficção científica. Trata-se de um suspense dramático que aborda sobrevivência, traição e redenção. Filmado nas ruas do bairro Ilha Maciel, em Buenos Aires — um local que, na vida real, também é dominado pelo tráfico e pela violência —, o diretor Cristian Marchiori afirma ter pedido autorização para o chefe do tráfico no bairro para poder filmar em Ilha Maciel, e também quais ruas e horários a equipe poderia gravar.
Apesar de ser um filme argentino, Gatilheiro poderia facilmente retratar uma história ocorrida no Brasil ou em diversos outros lugares da América Latina. A obra trata das periferias dominadas pelo crime, pela pobreza e pela corrupção policial. Além disso, o filme possui um arco secundário que mostra um grupo de moradores exaustos com o descaso das autoridades e a insegurança no bairro, o que os leva a tomar uma drástica atitude.
A sessão de quinta-feira (24/04), première brasileira de Gatilheiro, contou com a presença do diretor Cristian Marchiori, do protagonista Sergio Podeley e do produtor Pablo Udenio na Cinemateca Paulo Amorim. Após a exibição, os três participaram de um debate com o público por mais de 40 minutos, sendo muito simpáticos e receptivos com os espectadores.
“Sou amigo do Sérgio há muitos anos, e há muito tempo pensava em fazer um filme que explorasse todas as suas habilidades, pois ele é um ator incrível (…).
Gatilheiro é um filme tão difícil de ser realizado que, se alguém viesse até mim perguntando se eu queria produzi-lo, eu diria que não. Por isso, também agradeço muito o trabalho de Pablo Udenio.” Diretor Cristian Marchiori expressando sua gratidão à equipe durante um de seus comentários.

Da esquerda para a direita: Pablo Udenio, Sergio Podeley, Cristian Marchiori e o mediador João Pedro Teixeira, durante debate após a première de Gatilheiro. Foto: Alisson Santos/CineNewsPoa.











Deixe um comentário