Uma mistura mítica e previsível de gêneros
A caminho de uma reunião de negócios crucial com um bilionário farmacêutico, Elliot (Paul Rudd), um advogado de compliance dócil com alergias agressivas, e sua filha universitária Ridley (Jenna Ortega) atropelam um unicórnio com seu carro. Uma colisão normal com animais selvagens seria apropriadamente traumatizante, mas uma com uma criatura mítica se mostra ainda mais perturbadora. Quando eles saem de seu carro para investigar os danos, Ridley se conecta espiritualmente com a criatura (apresentada em uma sequência psicodélica) enquanto Elliot, em um ataque de medo, termina de matar o animal.
Em sua estreia na direção, Alex Scharfman considera um universo no qual unicórnios são criaturas mágicas reais. O problema é que a ideia que alimenta o filme — não seria engraçado se um unicórnio cometesse um massacre? — é uma piada com duração limitada. A novidade de um unicórnio assustador em busca de sangue pode acabar surpreendentemente rápido, e quando o ato final chega, a violência do unicórnio já começa a parecer vazia. Não ajuda o fato de não haver muitas maneiras diferentes de um unicórnio matar você (eles geralmente usam apenas o chifre), então você pode ver o filme se esforçando para fazer com que todas as cenas de morte pareçam distintas.
Scharfman, que dirigiu e escreveu o roteiro, estabelece A Morte de um Unicórnio como um horror absurdista e um tipo familiar de sátira social. Elliot convocou Ridley para acompanhá-lo em um fim de semana com Odell, um magnata moribundo (interpretado por Richard E. Grant em um papel ao estilo de Saltburn) que está se preparando para nomear um representante para o conselho de sua empresa. Como isso funciona não precisa ser muito discutido. Elliot — trabalhador apesar do luto pela esposa — lhe parece o candidato perfeito, então o CEO o convida para passar alguns dias com sua filha em sua extensa propriedade. Ele quer conhecer Elliot e, essencialmente, testar sua lealdade.
Anos depois do boom do gênero de sátira social “mate os ricos”, o público sabe que essa premissa traz problemas. Quando Elliot e Ridley chegam, conhecem a esposa filantrópica de Odell, Belinda (Téa Leoni), e seu filho rebelde, Shephard (Will Poulter), igualmente soberbos e desconectos da realidade do mundo.
A ação principal começa quando a família de Odell descobre as propriedades curativas do unicórnio e imediatamente cria maneiras de monetizá-lo. Eles convidam os principais pesquisadores da empresa para a casa e recrutam todos para participar de sua trama exploratória. Ridley, que teve uma conexão sensorial com o filhote de unicórnio, permanece receosa com este rumo e tenta impedir, mas como de praxe pra adolescentes, não consegue se comunicar direito. Ela embarca em sua própria investigação e o que descobre pressagia um destino terrível.
A Morte de um Unicórnio começa com força, mas logo fica claro que a história não tem muitos caminhos a percorrer. Scharfman segue o roteiro estabelecido por outros filmes do gênero, de O Menu a Triângulo da Tristeza , então, embora haja muitas cenas absurdas, a trama em si é bastante previsível. Uma oportunidade de oferecer algo diferente se apresenta quando Ridley se envolve na história, mas Scharfman a ignora, perdendo a chance de desenvolver melhor o arco dos unicórnios.
As atuações do excelente elenco do filme sem dúvida conduzem a trama. Grant, Leoni e Poulter aprimoram suas interpretações como pessoas comuns que mascaram sua crueldade com uma exagerada demonstração de generosidade. O relacionamento deles com o mordomo é um fio condutor particularmente divertido que permite a Carrigan (Anthony Barry) sustentar um papel relativamente fraco com comédia física sutil e timing impecável.
Rudd e Ortega adicionam uma química discreta como pai e filha ao filme. O relacionamento deles, inicialmente dilacerado pela dor, desenvolve-se de maneira fraca, eles não tem um desenvolvimento de conexão durante o filme, fica tudo acumulado para o final.
A melhor parte deste filme é certamente o Shephard de Will Poulter, um homem-criança superconfiante que muda de ideia constantemente. É fácil parodiar um babaca mega-rico, mas outra é fazê-lo de uma forma tão consistentemente cativante. Shephard é um rato canalha da cabeça aos pés, mas ele é engraçado de uma maneira específica e surpreendente que o diferencia dos demais membros da família. Talvez seja apenas a atuação de Poulter, mas ele é uma das poucas partes da narrativa direta de classe do filme que parece surpreendente. Quem dera A Morte de um Unicórnio tivesse mais algumas surpresas reservadas.











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