A demolição dos padrões de beleza através do horror corporal
O que você faria se pudesse criar uma versão perfeita de si mesmo?
É com essa proposta de enredo simples e objetiva que A Substância desenvolve sua história, abordando diversos temas extremamente relevantes para a nossa sociedade atual, como: o etarismo, machismo, e abjeção que as mulheres sofrem na indústria cinematográfica conforme vão envelhecendo.
Demi Moore interpreta a personagem Elisabeth Sparkle, uma premiada atriz que já se encontra numa fase decadente da carreira, mas ainda assim apresenta um programa de aeróbica de bastante audiência na televisão. Até que ela sofre um duro golpe e é demitida no dia de seu aniversário pelo seu chefe que pretende buscar uma mulher mais nova para substituí-la.
Após um acidente, Elisabeth acaba recebendo um envelope com um pen drive, nele está escrito “a substância” e o vídeo contém a divulgação de um produto que promete criar uma cópia de si mesma, mais jovem, bonita, e perfeita, com apenas um aviso: vocês são um só.
O filme foi escrito e dirigido pela cineasta francesa Coralie Fargeat, e é apenas seu segundo longa-metragem, após o bom Vingança (2019) pelo qual recebeu prêmios de vários festivais de cinema independentes.
“O filme é sobre você saber como é se sentir monstruoso, não importa como você se pareça, eu acho que é o olhar que você coloca em si mesmo que faz você se sentir um monstro no mundo.” – Coralie Fargeat em entrevista após sessão de A Substância no Toronto International Film Festival 2024.
Entre um horror corporal de fazer o público se contorcer nos acentos, e um humor destemido, desconstruindo os ideais de beleza impostos pela sociedade. Vemos Fargeat dirigir seu filme com muita audácia e originalidade.
A Substância nos deu a melhor atuação da carreira de Demi Moore, em um nível elevadíssimo de interpretação para uma personagem que sequer tem muitos diálogos para trabalhar, além disso, enquanto presenciamos Elisabeth em uma batalha destrutiva contra si mesma, vemos a atriz Margaret Qualley também com bom desempenho interpretando a personagem Sue.
Coralie Fargeat elevou o nível do trabalho de diretores consagrados do gênero, trazendo na visceralidade do horror corporal o que as mulheres precisam enfrentar durante a carreira no cinema, provocando o debate de como lidar com o envelhecimento.
Não é um filme que será lembrado apenas por suas cenas grotescas, mas também por sua mensagem imposta através do choque visual.











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