Um faroeste satírico sobre o verdadeiro sexo frágil
Novo filme do diretor Erico Rassi, eleito o melhor longa-metragem do Festival de Cinema de Gramado em 2024, retrata a fragilidade de homens grosseiros abandonados pelas mulheres que amam, no sertão de Goiás.
Desde o início já somos apresentados ao conflito que vai ditar a narrativa do filme, o protagonista Totó, interpretado por Ângelo Antônio, aguarda dentro do seu carro numa estrada de terra o personagem Durval, interpretado por Babu Santana.
Totó planeja emboscar o carro de Durval, que está com sua ex esposa, ao se encontrarem, ambos partem para a briga sem nem ligar para a mulher, que simplesmente desce do carro e vai embora a pé sem olhar para trás.
A disputa dos homens que parecem querer defender sua honra, na verdade, apenas expõe seu orgulho ferido. Desencadeando ações onde apenas a morte de um, pode trazer o alívio de outro.
O diretor Rassi apresenta um roteiro de extrema qualidade, mostra que houve estudo para escrever cada um dos personagens, todos têm uma importância para o desenvolvimento do filme.
Ainda falando sobre os personagens, destaco a atuação de Rodger Rogério, ator de 80 anos que recebeu aqui seu primeiro papel de destaque no cinema, trazendo uma atuação carismática, que cativou o público durante a sessão, apesar de estar interpretando um matador, Jerominho, como é chamado seu personagem, se torna essencial para a história e fez com que todos torcessem por ele no cinema. Rodger Rogério também foi premiado este ano em Gramado, recebendo o kikito de melhor ator coadjuvante por sua atuação em Oeste Outra Vez.
Outro ponto excelente na produção é a sátira nunca esgotar seu humor, praticamente a cada cena temos um personagem falando algo bobo, mas de uma forma tão séria que a cada novo diálogo, dos poucos que o filme tem, vai ficando ainda mais engraçado.
Os homens do filme parecem ser pessoas que não se desenvolveram plenamente, não tem tato social, não conseguem conversar de sentimento mesmo quando se sentam frente a frente, especificamente para isso. Em alguns momentos os diálogos parecem ser de duas crianças brigando por um brinquedo, mas são homens adultos conversando seriamente, às vezes até encomendando um assassinato.
Apesar do ambiente hostil, desse faroeste brasileiro, onde tudo se revolve na briga ou na bala, todos os personagens são extremamente polidos para conversarem entre si, demonstram respeito e gentileza, sem nunca se exaltar ou se ofender, escutam e esperam o outro terminar de falar, ao mesmo tempo que podem ser super violentos e agressivos para provar sua masculinidade.
Essas são características reais, principalmente de regiões no interior, onde praticamente não se vê mulheres se divertindo em espaços abertos, isso explica também a ausência delas no filme, pois não querem mais estar nesse ambiente, em meio a essa toxicidade masculina, e abandonaram essa realidade.
Oeste Outra Vez é um filme que surpreende cena a cena, fala sobre solidão, orgulho, fragilidade masculina e aquele amor que, na verdade, é apenas um sentimento de posse. Temas jogados para baixo do tapete em muitas famílias brasileiras.











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