Um terror com estilo e personalidade

Cláudia (Lilly Englert), uma jovem de 25 anos com sérias inseguranças, aluga o andar superior de uma casa isolada. Ela mente para a mãe, dizendo que está indo para um lugar, quando na verdade está em outro, sempre conversando ao telefone com um homem estranho. Desde o início, já sabemos que tudo vai dar errado.

Por chegar de madrugada e não ter táxi ou outro meio de transporte, Cláudia liga para sua anfitriã e pede o favor de buscá-la no centro da cidade. Letizia (Lucia Vasini), a proprietária, muito prestativa e simpática, vai ao encontro dela. Nós, espectadores, percebemos que aquela senhora esconde algo, mas a protagonista, ainda um pouco ingênua, sente-se acolhida no casarão velho.

Após um jantar um tanto quanto desconfortável, Letizia convida sua única hospede para ir ao seu quarto, onde lhe apresenta uma máquina de metafonia, uma técnica que permite a comunicação com os mortos.

Claudia leva o acontecimento na brincadeira mas logo isso vai se transformar em pesadelo. Ao ficar sozinha em seu quarto, no avançar da noite ela começa a descobrir segredos e percebe que precisa ir embora o mais rápido possível.

Apesar de apresentar poucos personagens, o filme começa com uma fotografia muito bonita, explorando planos abertos que seguem a protagonista pelo centro de uma cidade. O estilo lembra Suspiria (1977), de Dario Argento, o remake de 2018 de Luca Guadagnino. Também vi semelhanças com o recente e excelene Oddity (2024).

Na minha opinião, o filme é mal vendido por meio de sua sinopse e trailer. O que assistimos não se encaixa no padrão de suspense envolvendo uma protagonista indefesa. O impacto gerado é puramente subjetivo: o filme se passa praticamente inteiro dentro da casa e mantém-se contido o tempo todo. É preciso ter paciência.

Parafraseando novamente o titulo do filme, no avançar da noite mergulhamos no inconsciente de uma protagonista muito frágil, tímida, sem apoio familiar. Através do contato com a metafonia, Cláudia explora sua sensação de desamparo e constrói um pesadelo pessoal dentro da já terrível situação que enfrenta. Com o progresso da noite, as perturbações, visões distorcidas e pesadelos atingem o ápice.

O diretor Davide Montecchi sabe explorar seu baixo orçamento e utiliza luzes, sombras e trilha sonora para criar uma atmosfera envolvente. É um filme que demora a se abrir, mas recompensa o espectador ao manter-se sensato e ao analisar a personalidade de suas personagens ao longo da exibição.

No Avançar da Noite tem mais uma exibição prevista no Fantaspoa para esta terça-feira (15/04), às 17:30 na Cinemateca Paulo Amorim.

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Meu nome é Alisson Santos. Sou natural de Porto Alegre (RS) e nasci em 1996. Jornalista buscando se especializar em críticas de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre cinema.

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