Culto hippie, metal e psicodelia
Desde que vi o filme na programação do Fantaspoa, minha curiosidade foi imediatamente despertada. Primeiro, pelo pôster chamativo; segundo, pelo título atípico para um filme de terror: Pater Noster e a Missão da Luz. Não é um nome comum para o gênero, o que só aumentou meu interesse.
Minhas expectativas se confirmaram logo na primeira cena, em que vemos a protagonista indo para o trabalho enquanto dança ao som de uma música. O filme reúne tudo o que eu adoro em um terror slasher: culto, metal e psicodelia. Era impossível não ser fisgado.
Max (Adara Starr) é uma colecionadora insana de discos de vinil e trabalha em uma loja de discos gerida por uma mulher, onde todas as funcionárias também são mulheres. A maioria dos clientes da loja são homens que tentam se impor intelectualmente sobre elas, gerando boas piadas. Um desses clientes traz um disco extremamente raro, avaliado em mil dólares. O homem que o trouxe não sabe o seu real valor e Max acaba comprando o disco para a loja por apenas 50 dólares. Intrigada com a origem do item, Max pede o endereço do cliente e vai até o local, um brechó, onde encontra vários discos do grupo Pater Noster e a Missão da Luz, exceto o mais raro de todos, que inclusive possui uma lenda de ser amaldiçoado. O grupo religioso e musical dos anos 70 está fora da rede há décadas, o que tornou suas poucas unidades de discos raros entre colecionadores de música autoproduzida, valendo assim muito dinheiro.
De volta para casa, onde mora com sua amiga Abby (Sanethia Dresch), Max compartilha a descoberta do Pater Noster enquanto as duas ficam chapadas e escutando os álbuns. Mais tarde, elas e as colegas de trabalho vão a um show sangrento de uma banda local de thrash metal. Max deixou seu número com a vendedora do brechó e, no dia seguinte, recebe uma ligação estranha do grupo, convidando-a para visitar o Wunderlawn, a sede deles. Desconfiada, ela decide levar as amigas e o baterista da banda de metal, que está empolgado com a ideia. A partir daí, o que se segue é pura loucura.
O diretor Christopher Bickel, nome que eu deixei anotado aqui para assistir o resto da filmografia, não perde tempo para contar a história. O filme tem cortes rápidos que trazem dinamismo, efeitos práticos que funcionam muito bem e uma primeira metade repleta de humor irônico que relaxa o público para tudo que vem por aí no acampamento do culto hippie. Bickel inclusive participou da composição da trilha sonora que foi gravada com a participação de músicos locais do seu estado, Carolina do Sul.
O filme foi feito com um orçamento de apenas 20 mil dólares, o que é impossível de acreditar vendo a qualidade da produção. Contou inclusive com diversos voluntários que se dispuseram a colaborar.
Voltando a falar do desenvolvimento, o terceiro ato mergulha em uma espiral de loucura, embalada pela trilha sonora de horror original. Um ato quase sem diálogos, apenas sangue, gritos e muita psicodelia. Assistir no cinema é uma experiência que vale cada segundo.

Pater Noster e a Missão da Luz tem mais uma sessão marcada para a próxima sexta-feira (25/04), às 15h30, na Cinemateca Paulo Amorim. Imperdível!











Deixar mensagem para XXI Fantaspoa encerrou com recorde de público presencial – CineNewsPoa Cancelar resposta