O resgate histórico das pioneiras do futebol feminino no Brasil

O futebol feminino no Brasil tem uma trajetória marcada por proibições e desafios. Embora as primeiras referências a partidas disputadas por mulheres tenham surgido nos anos 1920, a modalidade foi oficialmente proibida em 1941. O motivo alegado na época foi que o futebol “não era coisa de mulher”. Essa proibição durou até 1979, quando a legislação foi revogada, permitindo que as mulheres voltassem a jogar futebol de forma organizada.

Nos anos 1980, a primeira Seleção Brasileira Feminina começou a se formar, mas sem apoio financeiro ou reconhecimento oficial. As jogadoras enfrentavam dificuldades para treinar e competir, muitas vezes arcando com os próprios custos de viagens e equipamentos. Aí entra a história de algumas das nossas personagens. O documentário dirigido por Adriana Yañez traz relatos de jogadoras como Rosilane Camargo Motta (Fanta), Elane dos Santos Rego, Roseli de Belo e Marilza Martins (Pelé), que compartilham memórias de um período em que o futebol feminino era alvo de muito mais preconceito do que nos dias atuais. Diferentemente dos homens que atuaram na seleção brasileira, que quando se aposentam dos gramados podem optar por nunca mais exercer uma atividade, muitas dessas ex-atletas precisaram reconstruir suas vidas assumindo trabalhos informais ou atuando como treinadoras em escolinhas de futebol de periferia.

As Primeiras começa com imagens da primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino, realizada na China em 1988, e contextualiza um pouco a categoria na época. Após isso, somos apresentados às nossas personagens, e cada uma conta um pouco da sua história. Nesses depoimentos, vemos um pouco de tudo, incluindo uma atleta que foi descoberta pelo bicheiro Castor de Andrade e as próprias disputas do jogo do bicho, que financiaram o início do futebol feminino no Rio de Janeiro e afloraram a rivalidade entre os times Bangu, de Castor de Andrade, e Radar, de Eurico Lyra Filho

É muito fácil se envolver com o filme, especialmente para quem gosta de futebol. As ex-atletas são carismáticas e se expressam muito bem. Os momentos em que elas se reúnem para conversar são, com certeza, os melhores do filme.

As Primeiras resgata uma legado e dá voz às mulheres que abriram caminho para o futebol profissional feminino no Brasil, mostrando que, apesar das adversidades, elas nunca deixaram de lutar pelo reconhecimento e pela valorização do esporte.

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Meu nome é Alisson Santos. Sou natural de Porto Alegre (RS) e nasci em 1996. Jornalista buscando se especializar em críticas de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre cinema.

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