Primeira edição do festival encerrou domingo (28/9) com boa adesão do público e celebração ao cinema nacional

De 25 a 28 de setembro, Porto Alegre foi palco de um novo festival de cinema, a primeira edição do Festival Cine Curta POA. Reunindo cineastas, produtores, atores e apaixonados por cinema da região, chegando para ser um novo evento de valorização e fomento da produção audiovisual gaúcha e também nacional.

Com uma programação diversificada, o festival promoveu exibições de curtas e longas-metragens que abordaram temas sociais, culturais e artísticos. Painéis com especialistas, debates e sessões especiais para escolas e universidades também ocorreram visando formar novos públicos e estimular o pensamento crítico por meio do cinema.

A cerimônia de premiação ocorreu no último dia do festival, domingo (28/9), premiando as melhores produções que foram escolhidas através de um júri técnico e popular, os vencedores receberam troféus e prêmios em dinheiro, destinados a incentivar a continuidade da produção audiovisual independente. As categorias contemplaram desde melhor direção e roteiro até fotografia e atuação, revelando novos talentos e reconhecendo profissionais já com carreira consolidada.

Durante o festival, assisti alguns curtas de diversos estilos e temas, deixo aqui a opinião sobre eles:

Ana Cecília, 20′, dirigido por Julia Regis

A pequena cidade gaúcha onde Ana Cecília vive não comporta mais seus sonhos. Entre rusgas com a irmã mais velha e primeiras paixões, ela se depara com os desafios de entender quem é, dentro e fora da sua família.
A história de Cecília, como prefere ser chamada, é igual a de muitos adolescentes que passam pela “fase rebelde” e parece que atraem problemas mesmo nas coisas mais simples. É um curta que deixa vontade de ver mais, tem apenas personagens femininas e uma relação familiar engraçada mas que vai se tornar muito dramática, com uma reviravolta surpreendente e muito bem colocada no roteiro.

Black House: Jazz é o Corre, 20′, Amilcar Neto

O talentoso trompetista Lucas Gomes usa sua música para expressar as lutas e alegrias enquanto artista periférico, unindo-se a outros músicos para reivindicar uma mudança social em um país marcado pela desigualdade, revelando o poder da coletividade na arte. Lucas apesar de não ter mais de 30 anos já passou por muitas dificuldades e preciso desde cedo aprender a se virar sozinho e correr atrás de seu sustento, sem nunca desistir do poder da música e de ser artista, pra ele, Jazz foi literalmente o corre. Outro curta que deixou vontade de ver mais, principalmente do grupo tocando junto, a musica é de qualidade.

A Caverna, 15′, Louise Fiedler

Quando uma filha decide sair da casa onde sempre morou com sua mãe, incertezas entre as duas emergem: a filha, uma artista, tem uma visão de mundo que diverge do que a mãe acredita ser o melhor para ambas. Dessa relação, que compartilha tanto o amor e o excesso de cuidado, quanto obscuridades e questões não ditas, rompe-se o cordão umbilical criando-se uma grande fissura. Nasce entre elas uma prisão: a caverna. Lá dentro, a atmosfera opressiva mostra que não existe saída fácil; no entanto, elas terão de encontrá-la.
Senti muito potencial neste curta, vi no processo de criação dele muito da forma como Tarkovski se expressava para falar sobre suas relações familiares, o formato não linear mas mesmo assim conectado. Um roteiro com muito potencial pra longa.

Agarra, 5′, Clara Estolano

Fotofilme experimental. Um casal de jovens sai de uma festa junina para viver um momento fantástico, na floresta, sob a lua cheia.
A atriz é muito fotogênica, o que prende a atenção durante o curto tempo do filme. Foi legal assistir mas esse formato não me agrada, acho que seria mais legal a gravação em vídeo do que a montagem de fotos, mesmo que envolve-se mais orçamento para design de produção.

Sem Fantasia, 15′, Pedro Murad, Daniel Herz

O centro histórico de uma grande metrópole está em um estado degradante e será completamente incendiado. A população evacua a região sob ordens das autoridades. Uma velha prostituta decide ficar e desaparecer entre as chamas. Mas ela recebe a visita inesperada de um antigo cliente. O curta tem boas atuações de seus protagonistas, que são experientes, a dinâmica deles flui facilmente e o espectador só precisa acompanhar, nada além disso.

Amélia, 10′, André Leão

A protagonista, Amélia, vive aprisionada em uma relação abusiva que a consome, colocando em constante conflito sua vontade de viver e a sombra da morte que a persegue. À medida que o curta se desenvolve, somos apresentados a um retrato íntimo de sua luta interna, onde o amor se transforma em uma prisão e a esperança se torna um sentimento distante. Gostei principalmente como a história se relaciona bem com o cotidiano brasileiro (onde ocorre muitos casos de relacionamento abusivo) colocando elementos como as notícias no rádio e a situação de levar no outro dia como se nada aconteceu porque precisa trabalhar.

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Meu nome é Alisson Santos. Sou natural de Porto Alegre (RS) e nasci em 1996. Jornalista buscando se especializar em críticas de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre cinema.

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