Com debates, oficinas e estreia do filme O Agente Secreto, o evento atraiu grande público em Porto Alegre
Entre os dias 3 e 7 de outubro de 2025, a capital gaúcha recebeu o Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre (FRAPA), que reuniu alguns dos principais roteiristas do Brasil e atraiu grande público que fez filas em frente as salas de cinema. A programação incluiu debates, oficinas, sessões comentadas e encontros que aproximaram profissionais da indústria e amantes do cinema.
Algumas atividades do festival como oficinas, workshops e masterclasses, foram exclusivas para participantes credenciados, roteiristas e outros profissionais do audiovisual interessados em se capacitar e conseguir financiamento para seus projetos, garantindo um ambiente de troca profissional e aprofundado. Já as sessões de cinema foram gratuitas, abertas ao público em geral, mediante a disponibilidade das salas — o que permitiu que centenas de pessoas participassem das exibições e descobrissem novos trabalhos audiovisuais.
Estreia de O Agente Secreto marcou o festival
Um dos momentos mais aguardados foi a estreia gratuita de O Agente Secreto, filme escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2026. As duas sessões especiais, realizadas em Porto Alegre, foram disputadas e geraram grandes filas em frente à Cinemateca Paulo Amorim, onde o diretor Kleber Mendonça Filho, a produtora Emilie Lesclaux e a atriz Alice Carvalho participaram de um debate após a exibição. Já na Cinemateca Capitólio, a equipe fez a apresentação do filme antes da sessão.
A presença, especialmente de Kleber Mendonça Filho, abrilhantou o primeiro dia do FRAPA e movimentou o centro de Porto Alegre, transformando as exibições de O Agente Secreto em um momento marcante para aqueles que conseguiram um dos disputados lugares para assistir ao filme.
“Demorei alguns anos para escrever o roteiro desse filme e muito do que tem nele vem de minhas memórias afetivas, que acabam se transformando em cinema. Quero muito que os jovens vejam, porque é um filme que fala sobre a história do Brasil e sobre todos nós brasileiros”, comentou o diretor Kleber Mendonça Filho antes da sessão na Cinemateca Capitólio.

Reconhecimento e impacto cultural
O FRAPA, em sua 13ª edição, contribuiu mais uma vez para fortalecer a cena cultural da cidade, movimentando espaços, atraindo visitantes e consolidando Porto Alegre como a sede do maior evento voltado para roteiristas na América Latina. O impacto foi sentido não apenas no meio artístico, mas também na economia local, com hotéis, restaurantes, bares e a Feira do Livro de Porto Alegre — realizada paralelamente na Praça da Alfândega — registrando maior movimento de participantes do FRAPA durante os dias de programação. Alguns estabelecimentos firmaram parceria com o festival e ofereceram descontos mediante a apresentação da credencial.
Prêmios crítica
Durante os cinco dias de festival, assisti a todas as sessões de longas e curtas-metragens. Neste ano, com exceção do filme de Kleber Mendonça Filho, as demais produções da Mostra de Longas foram exclusivamente de diretores estreantes na direção de longas-metragens, incluindo Uma em Mil, A Natureza das Coisas Invisíveis, Cais e Nó. Nenhum deles deixou nada a desejar e todos foram bem recebidos pelo público que compareceu às sessões.
A seguir, apresento minha opinião sobre o melhor longa e o melhor curta que assisti nesta edição do festival, desconsiderando O Agente Secreto devido à disparidade de investimento em relação aos outros filmes. Também compartilho a lista completa de vencedores do XIII FRAPA:

Uma em Mil, 70′, dirigido por Jonatas Rubert, Tiago Rubert
Um lindo documentário gaúcho feito por irmãos, Jonatas e Tiago vão atrás de demonstrar o valor humano que as diferenças apresentam. Tiago e seu tio Cléber possuem a síndrome de Down. E durante o filme os irmãos debatem os pressupostos da normalidade e extrapolando o mero diagnóstico médico, misturando experiências pessoais e familiares com uma investigação inovadora da experiência de se viver com a síndrome.

VBP (Vacas Brancas Preguiçosas), 18′, dirigido por Asaph Luccas
Um curta com humor ácido que dialoga muito bem com a geração Z mas que é engraçado para todas os públicos. Depois de chamar uma colega da faculdade de “vaca branca preguiçosa”, uma jovem estudante negra embarca em uma saga virtual para escapar do cancelamento.
Lista de premiados XIII FRAPA
Mostra Competitiva de Curtas
Melhor Título: “Quando eu for Grande?”, roteiro de Mano Cappu (PR).
Melhor Final: “BELA LX-404”, roteiro de Luiza Botelho (RJ).
Melhor Cena: “Amarela”, roteiro de André Hayato Saito, Luigi Madormo e Tati Wan (SP)
Melhor Personagem: “Mãe da Manhã”, roteiro de Clara Trevisan (RS)
Melhor Roteiro e Melhor Diálogo: – Júri Popular
“VBP (Vacas Brancas Preguiçosas)”, roteiro de Asaph Luccas (SP)
Concurso de Argumentos
Melhor Argumento | Ficção: “O Cheiro da Árvore”, de Débora Backes (Rio de Janeiro/RJ)
Menção Honrosa | Ficção: “Movimento dos Barcos”, de Tarcisio Gabriel da Conceição Santos (Belém/PA)
Melhor Argumento | Documentário: Toshi Voltou do Japão”, de Marcos Yoshi (São Paulo/SP)
Menção Honrosa | Documentário: “Um Corpo para Waldirene”, de Luíza Zaidan, Vitã e Rafael Farina (São Paulo/SP)
Concurso de Roteiros
Melhor Roteiro | Piloto de Série: “Riacho de Areia”, de Ana do Carmo, Aída Esther Bueno, Larissa Barbosa, Luiz Guilherme Assis e Rayane Teles (Salvador/BA)
Menção Honrosa | Piloto de Série: “Memento Vivere”, de B Paolucci (São Paulo/SP)
Melhor Roteiro | Longa-Metragem: “Revide”, de Gael Bérgamo (Santo André/SP)
Menção Honrosa | Longa-Metragem: “Vendo/Alugo”, de Gabriel Reis (Curitiba/PR)











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