Caótico e envolvente, bem ao estilo Paul Thomas Anderson

Um dos filmes que eu mais esperava em 2025 era, de fato, este lançamento de Paul Thomas Anderson, que, ao lado de Yorgos Lanthimos, é um dos diretores contemporâneos que eu mais admiro e que sempre traz algo novo e interessante em seus filmes. Aqui, vemos PTA voltar ao seu estilo caótico e imprevisível de fazer cinema, como foi em Magnólia (1999) e Embriagado de Amor (2002), duas obras-primas do diretor, que tem uma carreira repleta de outros sucessos, mas vinha do apenas regular Licorice Pizza (2021).

Uma Batalha Após a Outra se passa em uma América que se tornou um Estado policial fascista: um lugar onde imigrantes são presos em massa e colocados em centros de detenção, onde a polícia e os militares se fundiram em uma força autoritária implacável, onde uma sociedade secreta de nacionalistas cristãos planeja o futuro a partir de uma câmara oculta e onde um grupo heterogêneo de guerrilheiros revolucionários tenta desestabilizar o regime por meio de atentados a bomba e assaltos a bancos — sim, não parece tão ficção assim.

O filme é estrelado por Leonardo DiCaprio, interpretando Bob, um ex-revolucionário deprimido, alcoólatra e drogado que vive uma vida reclusa com sua filha de 16 anos, Willa, interpretada brilhantemente por Chase Infiniti em seu primeiro longa. No primeiro ataque do grupo de guerrilheiros, eles se deparam com o capitão Steven J. Lockjaw (Sean Penn), que supervisiona um centro de detenção de imigrantes. Durante a incursão, Perfidia (Teyana Taylor), esposa de Bob, humilha Lockjaw — e também o hipnotiza com sua beleza — e ele nunca se recupera completamente. Dezesseis anos depois, Bob e Willa terão sérios problemas quando Lockjaw finalmente recebe uma pista sobre o paradeiro deles.

O personagem de DiCaprio me lembrou muito “O Cara” de O Grande Lebowski (1998), não só pelo fato de ele ser maconheiro e passar quase o filme inteiro de roupão, mas também pelo seu jeito atrapalhado de tentar se virar em uma trama complexa e de alto risco.

O filme tem reviravoltas que alimentam o público, dando-nos aquela sensação agoniante de não ter ideia do que virá a seguir — que é, para mim, a melhor parte de assistir a um filme. Quando chegamos ao ato final, temos um pouco de tudo: perseguição de carros, tiroteio e mais traições, que vão acontecendo ao longo de toda a narrativa.

Paul Thomas Anderson, estadunidense, fez o filme em um momento extremamente oportuno para a situação política atual de seu país, com boa parte da sociedade mergulhando no discurso imperialista aberto do presidente, nas políticas anti-imigração e no desrespeito aos direitos humanos.

Uma Batalha Após a Outra é um filme furioso, polêmico e envolvente, de um cineasta que nunca se esquivou da provocação, mas que nunca antes se dirigiu tão diretamente ao seu público. PTA parece indignado e horrorizado com o momento atual dos Estados Unidos e com todas as pessoas marginalizadas que são atacadas e humilhadas com tanta veemência pelo país todos os dias.

2 respostas para “Uma Batalha Após a Outra”.

  1. Avatar de Critics Choice Awards 2026 – CineNewsPoa

    […] cinema e televisão dos Estados Unidos e do Canadá, revelou neste domingo (4) os seus vencedores.Uma Batalha Após a Outra ganhou as principais categorias da noite, levando os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor para […]

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Meu nome é Alisson Santos. Sou natural de Porto Alegre (RS) e nasci em 1996. Jornalista buscando se especializar em críticas de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre cinema.

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