M. Night Shyamalan e o caminho onde o pior sempre pode ser o próximo

 O renomado diretor que começou a carreira com o filme que virou um clássico cult – O Sexto Sentido (1999) – e a trilogia de sucesso Eastrail 177, parece nos últimos anos ter decidido tomar novos rumos em sua carreira. 

Em Armadilha (2024), já percebemos o caminho do filme logo no início. Um pai chamado Cooper, interpretado por Josh Hartnett, e sua filha pré-adolescente Riley, interpretada por Ariel Donoghue, vão a um show de música pop, mas logo ele percebe estar no meio de um evento sombrio e sinistro, uma verdadeira armadilha.

A premissa do filme indica suspense e tensão, porém nada desse ambiente consegue ser construído, tudo parece muito fácil para o protagonista. 

A segunda parte do filme é mais movimentada, parece ter mais coisas em jogo e personagens participando, porém conforme vamos indo para o ato final tudo começa a ficar cada vez mais absurdo e incoerente. Apesar disso, Josh Hartnett se sustenta na atuação e continua bem no papel até o fim.

“Quando o Night me enviou o roteiro e eu pude lê-lo, eu pensei, isto vai ser ou muito, muito bom ou vai fracassar, e eu quis meio que puxar da minha experiência em personagens não tradicionais e assisti outros filmes com atores psicopatas para buscar inspiração.” – Josh Hartnett, no Brasil em entrevista para a jornalista Isabela Boscov. 

A impressão é que Shyamalan esgotou sua fórmula de sucesso e não consegue mais criar o clima de tensão e as reviravoltas características de seu trabalho. Por mais diversificados que sejam seus filmes, nos gêneros de terror e suspense o sucesso não se repete há alguns anos. Pode ser dito que o último filme com destaque mundial do diretor foi Vidro (2019), após vieram na sequência Tempo (2021), Batem à Porta (2023), e agora Armadilha (2024).

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