Os caminhos cruzados de Cinco Tipos de Medo

Chegou o momento da estreia nos cinemas de Cinco Tipos de Medo, filme dirigido por Bruno Bini, vencedor dos Kikitos de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado de 2025.

A história mistura drama e violência com uma narrativa fragmentada e bastante intensa. Ambientada em Cuiabá, capital do Mato Grosso, envolve cinco pessoas que enfrentam cinco tipos de medo e, por coincidência do destino, têm seus caminhos cruzados.

Após quase morrer em uma UTI, onde estava internado com Covid-19, Murilo (João Vitor Silva), um jovem músico, desenvolve uma conexão com a técnica de enfermagem Marlene (Bella Campos), que o acompanhou durante sua recuperação.

No entanto, Marlene está presa a um relacionamento com Sapinho (Xamã), um traficante influente na comunidade — ao mesmo tempo temido e visto como uma espécie de protetor local.

Quando Sapinho é preso por uma policial movida por interesses pessoais, outros personagens entram em cena, incluindo um advogado com intenções duvidosas. À medida que essas histórias se entrelaçam, o filme constrói uma espiral de tensão em que amor, violência e poder se misturam, levando todos os envolvidos a decisões que os empurram para um ponto de ruptura sem volta.

Logo no início, são apresentados os cinco tipos de medo: da morte, da solidão, da violência, da culpa e do outro. Cada um dos cinco personagens centrais enfrenta uma dessas situações, mas pouco sabemos sobre seus passados — apenas o que se desenrola a partir do presente.

Os momentos de tensão começam muito cedo em Cinco Tipos de Medo, o que prende o espectador desde o início, mas também pode fazer com que o filme pareça um pouco mais longo do que realmente é. Vale adiantar que há muita violência — e uma violência bastante cruel e realista, do tipo que vivenciamos no cotidiano brasileiro.

Quando percebi que o roteiro do filme se baseava em cinco histórias interligadas, minha expectativa passou a ser como o diretor conseguiria amarrar todas as pontas. À medida que as trajetórias se cruzam, escolhas impulsivas (movidas pelo medo) desencadeiam um efeito dominó. Em determinado momento, porém, algumas situações se tornam implausíveis demais. Sem entrar em spoilers, a forma como um dos personagens é retirado da cadeia e retorna à sua vida normal soa pouco convincente.

Cinco Tipos de Medo garante até mesmo algumas risadas em meio à extrema tensão e ao nervosismo, mas também propõe um debate sobre marginalização, violência urbana, relações humanas deterioradas, trauma psicológico e ausência de empatia. Ninguém está totalmente certo, ninguém escapa ileso — e as consequências são inevitáveis.

Parte da equipe de Cinco Tipos de Medo fazendo a apresentação do filme na sessão de pré-estreia realizada dia 7 de abril no Cinesystem Bourbon Country, em Porto Alegre. Crédito: Alisson Santos/CineNewsPoa.

Deixe um comentário

Um espaço independente dedicado ao cinema e ao audiovisual, criado por mim, Alisson Santos, jornalista natural de Porto Alegre (RS).

O site nasceu com a proposta de acompanhar o cinema de perto, valorizando tanto as grandes produções quanto o cinema independente e as iniciativas que movimentam o audiovisual. Por aqui, você encontra críticas, entrevistas, reportagens e coberturas de festivais, sessões especiais, mostras e eventos cinematográficos, com atenção especial à cena cultural de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.

Posts recentes

  • Resident Evil
  • Hokum: O Pesadelo da Bruxa
  • Obsessão
  • O Convite
  • GRENAL: o Maior Clássico das Américas
  • O fotógrafo que escondeu e salvou a história

Descubra mais sobre CineNewsPoa

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo