Heavy metal, zumbis e muito sangue

O diretor Jason Lei Howden retorna ao Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre (Fantaspoa) com a sequência de seu filme, que fez sucesso na edição de 15 anos atrás. Deathgasm 2: Goremageddon é a continuação de Deathgasm (2015) e esteve em exibição na edição de 2026 do festival.

Eu ainda não acompanhava de perto o evento naquela época e descobri o filme original recentemente, ao ver a repercussão do público nas redes sociais do festival sobre a presença da continuação neste ano. Fui atrás de Deathgasm (2015), disponível no YouTube, dei play e fiquei agradavelmente surpreso com o humor e os riffs de guitarra incríveis. Apesar do orçamento apertado — cerca de 200 mil dólares, valor máximo permitido para filmes da mostra Low Budget, Great Films do Fantaspoa —, Deathgasm não economiza em sangue, tripas e violência. O primeiro filme tem um estilo muito original e um humor que funciona durante quase todo o tempo.

Já a continuação, Deathgasm 2: Goremageddon, assim como o primeiro filme, é um prato cheio para quem curte heavy metal, slasher e humor ácido. A trama acompanha Brodie (Milo Cawthorne), protagonista do primeiro filme, dez anos após os eventos originais. Ele está desempregado e falido e, após ver uma propaganda na TV, decide ressuscitar seus companheiros de banda para participar de uma batalha de bandas — e, claro, as coisas tomam um rumo apocalíptico. As sequências são repletas de sangue, risadas e referências a bandas de metal. Embora o valor de produção tenha aumentado um pouco, o filme ainda mantém o charme de produção de baixo orçamento.

Deathgasm 2 incorpora muitos elementos clássicos dos filmes de terror com temática rock’n’roll. Geralmente, há um jovem que se interessa pelo gênero contra a vontade da família e acaba se envolvendo com más influências, o que o leva diretamente ao inferno. Filmes das décadas de 80 e 90 exploravam bastante demônios, portais infernais e músicas amaldiçoadas — aquelas que revelam mensagens ocultas quando tocadas ao contrário. Também há uma mistura entre a vida de músico e o horror, criando situações tão absurdas quanto divertidas.

Deathgasm e Deathgasm 2 reúnem esses elementos do subgênero e os utilizam de forma hilária (por vezes até demais). Os atores parecem estar se divertindo durante a produção e se entregam completamente aos seus papéis, o que acrescenta um valor espontâneo ao filme.

Jason Lei Howden constrói a sequência de forma cômica, mantendo o tom do original, com o retorno de personagens e elementos da trama, além de consequências diretas dos eventos anteriores. O filme é voltado principalmente para os fãs de Deathgasm, mas também oferece bastante para apreciadores de terror e metaleiros em geral.

Deathgasm 2 dialoga diretamente com seu público: há decapitações, entranhas expostas e muita mutilação — mas os mais sensíveis podem ficar tranquilos, pois tudo é tratado com bom humor. Em determinado momento, a narrativa se transforma em um miniapocalipse zumbi, e Brodie precisa usar o poder do heavy metal para salvar o dia.

É um filme divertido e que vale a pena ser visto. Foi lindo ver a sessão de estreia lotada na Cinemateca Capitólio, com várias pessoas vestindo camisetas de bandas. Uma pena o diretor não ter vindo pessoalmente, pois teria sido muito interessante participar de uma sessão comentada.

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Meu nome é Alisson Santos, natural de Porto Alegre (RS). Sou jornalista em busca de especialização em crítica de cinema. Neste blog, realizo coberturas de forma independente e compartilho conteúdo informativo sobre filmes, incluindo críticas, entrevistas, cobertura de eventos e outros destaques e informações sobre o universo cinematográfico.

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