Uma nova odisseia espacial aquecida pela humanidade e esperança
A grande aposta da Amazon em 2026, que custou 248 milhões de dólares, é uma aventura espacial à moda antiga, com uma atitude contemporânea e toques criativos suficientes para conferir um ar de carro novo a um gênero já bastante conhecido.
Confesso que o filme passou batido por mim quando esteve em cartaz nos cinemas, há cerca de três meses. Pelo menos no Brasil, a estreia foi bastante discreta, apesar de, em seu primeiro fim de semana, o longa ter arrecadado cerca de 7 milhões de reais em 853 salas. Globalmente, ultrapassou a marca de 300 milhões de dólares, tornando-se a maior bilheteria da história do estúdio Amazon MGM.
Devoradores de Estrelas é baseado no romance homônimo de 2021, escrito por Andy Weir, o mesmo autor de Perdido em Marte (2011), adaptado para o cinema em 2015 pelo renomado diretor Ridley Scott. Desta vez, o projeto está nas mãos da dupla Phil Lord e Christopher Miller. Embora ainda não sejam nomes tão conhecidos pelo grande público, os dois já acumulam mais de uma década de parceria, principalmente em produções de comédia.
Ryan Gosling interpreta o Dr. Ryland Grace. Ele acorda em uma nave espacial, a anos-luz da Terra. O restante da tripulação está morto e ele acaba de sair de um coma induzido, o que lhe causou perda de memória. À medida que a história avança, flashbacks revelam que uma calamidade astronômica condenou a raça humana. Grace foi peça fundamental na elaboração do “Projeto Hail Mary” que poderia salvar a humanidade, mas agora precisa executá-lo sozinho — e não está exatamente preparado para isso. Ele sequer sabe pilotar a nave.
A jornada de Grace o leva a um sistema solar distante, onde um planeta parece imune a determinados fenômenos interestelares. (Eu poderia explicar exatamente qual é esse fenômeno e porque este planeta é imune, mas, para ser sincero, eu mesmo não entendi tudo. Então, se você entendeu, pode me explicar depois.) Quando chega ao destino, ele descobre que não está sozinho. Outra espécie teve exatamente a mesma ideia e agora ambos precisarão trabalhar juntos para salvar seus respectivos mundos.
O ponto principal, obviamente, não é a ciência em si, mas a história que os diretores contam por meio dela. É fácil perdoar a rapidez com que Ryan Gosling e seu simpático parceiro alienígena superam a barreira do idioma porque, a partir desse momento, o Projeto Hail Mary realmente decola. A relação entre os dois funciona muito bem. Vê-los conversando sobre ciência, fazendo ciência e explorando os paralelos entre suas culturas rende alguns dos melhores momentos do filme.
Há uma naturalidade admirável na forma como Devoradores de Estrelas consegue ser tão impactante. Lord e Miller contam uma pequena história humana sobre toda a humanidade. Eles equilibram efeitos visuais grandiosos, um roteiro recheado de boas piadas e uma narrativa que nunca precisa recorrer a conflitos violentos ou clichês para manter o interesse. O filme desperta um espírito nerd, por assim dizer, e faz um excelente trabalho sustentando quase toda a narrativa com apenas dois personagens. Quase nada soa forçado ou artificial.
Para mim, Interestelar (2014) continua sendo um filme mais potente dentro dessa proposta de drama espacial, principalmente por contar com um elenco maior de personagens capazes de sustentar emocionalmente a narrativa. Ainda assim, Ryan Gosling se sai muito bem, mesmo sendo o único humano durante boa parte do tempo em cena. Não é de hoje que ele demonstra seu talento como protagonista em projetos bastante diversos, mas aqui prova, mais uma vez, que consegue carregar um filme praticamente sozinho.
No mundo real, tudo parece desesperador. É difícil manter a esperança, e o otimismo às vezes pode soar como ingenuidade. Devoradores de Estrelas, no entanto, acredita na esperança. Acredita que vale a pena acreditar. E lembra que as pessoas são capazes de superar seus medos, suas falhas e, quando trabalham juntas, até mesmo aquilo que parece impossível.
Assista ao filme no Prime Video.











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